sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Clerk's, Jay and Silent Bob


Como eu havia dito antes, eu estudo cinema, e existem muitas coisas que acontecem não somente na nossa vida, como também na vida das outras pessoas, que gostaríamos que virasse um filme. Um exemplo é um amigo meu que trabalha em um Cyber Café no turno da noite (corujão), e tem que aturar todo o tipo de clientes. Eu já cogitava transformar esta parte de sua vida, em filme. Mas como eu faria? Então, uma luz veio do céu. Uma luz chamada “Clerk’s” (1994).


Sem apelar para a comédia pastelão que está em alta hoje em dia, Clerk’s (O Balconista) utiliza uma comédia com base no diálogo. Escrito, dirigido e produzido pelo “nerd” assumido Kevin Smith, ele também faz uma pequena ponta no filme como “Silent Bob”, que junto com seu amigo “Jay” (Jason Mewes), utilizam a fachada do mini-mercado onde trabalha “Dante Hicks” (Brian O’Halloran). Seu amigo “Randal Graves” (Jeff Anderson), trabalha em uma locadora de vídeos ao lado do mini-mercado, mas que não dispensa uma “fechada” da locadora para passar um tempo conversando com seu melhor amigo.


Os assuntos das conversas que se passam no filme, variam de acordo com o tipo de cliente que Dante recebe em seu mercado.


Uma coisa interessante é que Kevin Smith teve sucesso em sua carreira logo após o lançamento deste filme, fazendo com que ele escrevesse e dirigisse outros filmes de grande sucesso também. O detalhe é que o personagem que Kevin Smith interpreta, o Silent Bob, também aparece em todos esses filmes escritos por ele. E não são só algumas “pontinhas”. São aparições completamente necessárias para o desenrolar da história.


Os filmes que sucederam Clerk’s fizeram tanto sucesso, que Kevin Smith decidiu fazer uma continuação de sua obra prima. Em 2006 saiu Clerk’s 2, trazendo o elenco clássico, com seus diálogos clássicos, problemas clássicos e por que não, a comédia clássica criada pelo mestre Kevin Smith.

A diferença de produção entre um filme e outro é infinitamente diferente, visto que no primeiro filme, pela grande falta de recursos financeiros, a quantidade de planos seqüência elevada, ajudaram o filme a atingir tal sucesso, sem falar da opção de Smith por filmar em preto e branco, o que nos dias de hoje (1994) é muito raro e somente utilizado em obras com o intuito mais artístico.


Os últimos trabalhos de Smith na direção são "Zack and Miri Make a Porno" (out. 2008) e “Red State” (sem data de estréia prevista), o primeiro, trazendo alguns dos protagonistas de Clerk’s, e o último trabalho de Smith atuando é em “Die Hard 4.0” interpretando o nerd/hacker “Warlok”, que ajuda os protagonistas a deter seu vilão.


Voltando a Clerk’s, sua comédia segue o estilo que nossa rainha da comédia brasileira seguia, Dercy Gonçalves. Ela dizia que os palavrões não eram feios. Eles eram um modo de expressão de sentimentos, o que é muito utilizado em Clerk’s.


Agora é só esperarmos para ver os próximos trabalhos de Smith e as próximas aparições de Jay e Silent Bob.


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Um prédio com zumbis - REC


Eu tenho alguns problemas quanto às minhas escolhas em baixar e ver os filmes. Coloco algum nos meus favoritos para baixar mais tarde e acabo adiando o download, ou então, depois de baixar, se eu não ver na hora, eu gravo em um cd e esqueço em um tubo de cds com vários outros filmes. Um exemplo desses filmes é REC (2008).

A idéia principal não é nova. Um grupo de pessoas deve sobreviver aos ataques de um bando de zumbis sedentos por sangue e carne humana. As cenas em primeira pessoa são relativamente novas, porém já bastante utilizados em filmes como Blair Witch (1999) ou Clooverfield (2007). Contudo, a história, envolvendo atores pouco conhecidos e não atores, aliados à visão em primeira pessoa, deixam o espectador sentindo-se dentro do filme, assustando-se e intrigando-se com os personagens (admito que xinguei um dos policiais, me envolvendo na história).

REC conta a história de uma dupla de jornalistas, Ângela Vidal e seu câmera Pablo (Manuela Velasco e Pep Sais respectivamente) que estão gravando uma reportagem para um programa noturno, sobre o trabalho dos bombeiros à noite, quando os bombeiros recebem um chamado. Em um prédio antigo, os inquilinos dizem ter ouvido gritos de uma vizinha que dizem ser louca. A equipe de bombeiros, mais dois policiais, estão atendendo o chamado, tendo todas as suas ações registradas pela câmera de Pablo.

Aos primeiros minutos, REC não passa de uma versão não editada de uma reportagem (o que de fato é para parecer durante o filme todo), mas, assim como diz um dos bombeiros entrevistados da repórter, cerca de 70% dos chamados não são para apagar algum incêndio, e com certeza, esse filme conta a história do 0,00...1% das vezes em que os bombeiros enfrentam zumbis. Isso (logicamente) o torna diferente de uma reportagem oudocumentário.

A idéia original, juntamente com a trama, cenas em primeira pessoa e em planos seqüência (alguns planos podem durar até 10 minutos), mais a atuação de atores profissionais ou não e aparições repentinas (não vou falar quais, mas nem todas envolvem zumbis), podem fazer desse filme, apenas mais um filme de zumbis, onde pessoas tem de sobreviver ao ataque dos mortos vivos, mas certamente ele será lembrado, já que duas coisas contam muito ao seu favor: suas cenas em primeira pessoa e simplesmente o fato de ele ser espanhol.

São literalmente 85 minutos de um documentário que mostra uma história em que muitos espectadores gostariam de viver (ou não).

É delirante. É assustador. É REC.


terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nosferatu - A Symphony of Horror - 1922

Quando pensei em fazer este blog, fiquei matutando “Sobre qual filme irei falar primeiro?”. Confesso que tenho um pé na “Nerdisse”, pois pensei em falar sobre Star Wars ou Star Trek (Guerra nas Estrelas e Jornada nas Estrelas, para os leigos). Gosto muito das aventuras do caçador de tesouros Indiana Jones, ou das viagens no tempo de Back to the Future, mas me decidi por um clássico do filme mudo preto e branco. Nosferatu (1922) de Friedrich Wilhelm Murnau, ou simplesmente, F. W. Murnau.

Nosferatu foi, talvez, a primeira adaptação de um livro para o cinema. O livro é o mundialmente conhecido Drácula de Bram Stoker. Porém, por não ter sido autorizado por sua viúva, o nome do filme, dos personagens e dos lugares foram todos modificados, mas assim mesmo, a história continuava a mesma, o que ocasionou a destruição de todas as cópias que fossem encontradas pela justiça, evitando qualquer violação dos direitos autorais do livro, que pertenciam à viúva de Bram Stoker. Contudo, muitas das cópias foram guardadas e ficaram escondidas até sua morte. Hoje, o filme pertence ao domínio público (o que evita que a polícia federal me prenda por tê-lo baixado da internet).

Com ótimas interpretações de Max Shreck, Greta Schröder, e meu xará versão alemã, Gustav von Wangenheim (Conde Orlok / Nosferatu, Ellen Hutter e Thomas Hutter respectivamente) Nosferatu é um clássico do expressionismo alemão, com um horror que ainda hoje é explorado com filmes de grandes orçamentos e efeitos especiais revolucionários. Embora Nosferatu seja de 1922, ele foi uma grande produção para a época, devido ao seu grande sucesso e aos seus efeitos especiais que recém eram apresentados aos espectadores. Cenas claustrofóbicas com o Conde Orlok aparecendo e desaparecendo pelos corredores de seu castelo, seus dedos longos e finos que causam arrepios ao serem vistos somente em sombras na parede, efeitos em stop-motion para representar seus poderes vampíricos de movimentar os objetos com sua mente. Fico imaginando as senhoras e senhoritas daquela época, fechando os olhos quando o Conde Orlok aparece na porta do quarto do seu castelo, onde Thomas Hutter está hospedado. Com certeza, eu não conseguiria nem dormir se eu vivesse naquela época e tivesse visto esta maravilhosa obra.

Em 1979, foi lançado Nosferatu: Phantom der Nacht, remake do clássico de F. W. Murnau, mas que obteve tanto sucesso quanto muitos outros filmes sobre vampiros feitos até hoje, mas dentre estes já feitos, destacam-se Dracula (1958), com os mestres do cinema (e grandes amigos) Peter Cushing e Christopher Lee (Doutor Van Helsing e Conde Drácula respectivamente); Bram Stoker's Dracula (1992),Gary Oldman,Winona Ryder, Keanu Reeves e Antony Hopkins (Vlad Tepes / Drácula, Elisabetha / Mina, Jonathan Harker e Abraham Van Helsing respectivamente); Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles (1994), com Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Banderas (Lestat de Lioncourt, Louis de Pointe du Lac e Armand respectivamente), entre muitos outros que exploram todo o mito por trás dos vampiros.

Vampiros são hoje, uma boa fonte de cultura, diversão, imaginação e medo, isso devido aos livros, filmes, quadrinhos e jogos de videogame e RPG, que foram todos inspirados, não somente na fantástica história de Bram Stoker, mas também da influência artística proporcionada por Nosferatu.


Curiosidade:

Alguém sabe de onde veio a inspiração de Michael Jackson em um de seus clássicos passes no clipe Thriller? Aquele em que ele ergue um braço, com os dedos estendidos, um pouco acima do outro, ambos virados para o mesmo lado, enquanto Jackson olha para frente e canta?

Ele foi baseado em uma cena que nunca foi lembrada quando se falou do filme. Ela marca a parte final da obra, quando Conde Orlok se retira de sua nova residência, em frente à casa dos Hutter e vai à casa de seus vizinhos para saciar sua sede de sangue com o belo pescoço de Ellen Hutter. Esta cena se passa a cerca do minuto 86 do filme.

Fico por aqui, com esta bela imagem, que ajudou Michael Jackson a vender seus 50 milhões de discos.

Cinema, Crítica e Strudel

Eu sempre adorei cinema. Desde quando eu tinha uns sete ou oito anos, eu sempre dizia para meus pais e familiares que eu gostaria de ser “Diretor de Cinema”. Esse sonho nunca abandonou minha cabeça. Hoje, estou fazendo faculdade de cinema e começando a realizar este grande sonho. Muitos dizem que sou bem jovem para ser cineasta, mas acredito que eu já esteja velho, pois poderia ter começado a estudar cinema logo que completei meus dezessete anos. Hoje com vinte anos, estou tentando apressar meus estudos e ampliar meus conhecimentos e minha cultura cinematográfica, olhando filmes que meus professores e amigos mais cinéfilos indicam. Agora, por influência de um amigo meu (ele vai saber que o é quando ler isso), e para exercitar meus conhecimentos e a minha inexplorada e precária habilidade em escrever, estou começando a escrever neste blog, que irá conter minhas críticas aos filmes que vejo, o que por enquanto são poucos, mas por pouco tempo. São poucos filmes devido a minha escassez monetária momentânea, mas o melhor jeito de driblar este pequeno problema, é baixar os filmes na internet. Estes sim já possuo uma quantidade mais ampla, somando à quantidade de 90 filmes. Alguns já vi, outros ainda estou enrolando para prestigiar, mas pretendo postar todas as críticas que eu escrever, de todos os filmes que eu ver, e espero que isso nunca acabe.